Vai estar na clínica das oito da manhã até às cinco ou seis da tarde, acordado o tempo todo, sob anestesia local. A parte difícil do dia não é a cirurgia em si, mas a aplicação da anestesia — e essa acaba ao fim de uns vinte minutos. A parte mais importante dura quinze minutos e acontece antes de se cortar seja o que for: o desenho da linha capilar. É permanente, e tem de dar o seu acordo enquanto ainda está em posição de dizer que não.
Formulários de consentimento e uma colheita breve: hemograma, coagulação e serologias para hepatite B e C e VIH. É o padrão e não se discute: a clínica que salta isto salta precisamente o passo que deteta uma alteração da coagulação antes de ela importar. Os resultados chegam dentro de uma hora.
O cirurgião avalia a sua área doadora, acorda consigo o número de enxertos e desenha a nova linha capilar na sua testa com um marcador cirúrgico. Veja-a ao espelho. Sente-se direito. Levante as sobrancelhas. É o único momento do dia que se pode mesmo desfazer, e é a decisão de que depende o resultado parecer natural daqui a vinte anos.
A área doadora, e normalmente toda a cabeça, é rapada a cerca de um milímetro. Existem técnicas sem rapar ou com rapagem parcial, mas custam mais, demoram mais e limitam o número de enxertos. Se lhe prometeram uma delas, confirme agora e não quando a máquina aparecer.
A parte que todos temem, e a única que dói de facto. Um anel de injeções à volta da nuca e dos lados; cada uma sente-se como uma picada aguda de alguns segundos. Dez a quinze minutos desconfortáveis e, a partir daí, a zona fica completamente dormente o resto do dia.
As unidades foliculares são retiradas uma a uma da área doadora com um punch de menos de 0,9 mm. Está deitado de barriga para baixo ou sentado inclinado para a frente. É indolor, monótono e longo — a maioria ouve alguma coisa ou dorme um pouco. Os enxertos retirados vão de imediato para solução de conservação refrigerada, são contados e separados pelo número de fios por unidade.
Come sentado, com o couro cabeludo dormente e a cabeça rapada, e corre tudo bem. Evite cafeína: sobe a tensão e pode aumentar o sangramento à tarde. A maioria das clínicas fornece a refeição; pergunte, algumas não.
A segunda ronda de injeções, desta vez na testa e no topo da cabeça. Menos incómoda do que a primeira, em parte porque já sabe o que aí vem e em parte porque a testa fica dormente mais depressa.
Na área recetora fazem-se incisões com determinado ângulo, profundidade e direção. É a parte da intervenção que mais depende da perícia, e é aí que o resultado natural se ganha ou se perde. Este passo deve ser executado pelo cirurgião. Se for um técnico a fazê-lo, o papel do médico reduziu-se a supervisão — e essa é uma cirurgia diferente daquela que a maioria julga ter comprado.
Os enxertos são colocados nas incisões abertas: unidades de um só fio na linha capilar, de vários fios atrás dela. Costumam trabalhar dois ou três técnicos ao mesmo tempo, e esta é a fase em que técnicos formados são prática comum e apropriada. Lento, indolor, tranquilo.
Um penso apenas na área doadora; a recetora fica descoberta. Recebe analgésicos, um antibiótico, um spray e as instruções de lavagem. Peça o relatório cirúrgico por escrito antes de sair: número de enxertos, técnica, padrão de extração e fármacos administrados. O seu médico cá vai precisar dele e não o poderá pedir ao cirurgião depois.
Doem dois momentos: as injeções de anestésico na área doadora e as mesmas injeções na área recetora horas depois. Cada ronda dura dez a vinte minutos. A maioria descreve-as como agudas e não intensas: pior do que uma anestesia no dentista e mais suportável do que temiam. Tudo o que fica entre essas duas janelas e depois delas é pressão e ruído, não dor.
O segundo momento desagradável é a noite seguinte, e é uma dor surda na área doadora e não na transplantada. Os analgésicos que lhe dão chegam. Se ao terceiro dia ainda tiver dor a sério, isso não é a evolução normal e a clínica deve saber.
Muitas clínicas oferecem sedação, normalmente um ansiolítico oral ligeiro e não por via endovenosa. Alivia mais a tensão da espera do que a dor das picadas. Algumas oferecem anestesia sem agulha para as primeiras injeções, e isso suaviza mesmo os piores vinte minutos. Ambas se pagam à parte em quase todo o lado; nenhuma é indispensável e nenhuma é burla.
Toda a gente chega focada em quantos enxertos vai receber. O número que de facto determina se o resultado fará sentido daqui a duas décadas é quão baixa e quão reta fica a linha capilar — e isso decide-se em quinze minutos às nove da manhã.
Uma linha desenhada onde estava aos vinte anos parece certa aos trinta e dois e errada aos cinquenta, porque o cabelo atrás continua a recuar enquanto a linha transplantada fica onde está. O cirurgião que resiste ao seu pedido para a baixar não está a ser sovina; está a proteger um resultado que ainda não viu. Os outros, os que desenham o que se lhes pede, são aqueles cujo trabalho se encontra nos fóruns de correção.
Deixe o álcool três dias antes e o tabaco pelo menos uma semana antes, se conseguir: a nicotina contrai precisamente os pequenos vasos que devem alimentar os novos enxertos e reduz a sobrevivência de forma mensurável. Suspenda aspirina, ibuprofeno e vitamina E cerca de uma semana antes, mas de acordo com o seu médico se os toma por algum motivo. Não suspenda anticoagulantes prescritos sem indicação médica; comunique-os antes à clínica, e com antecedência em relação à data.
Lave o cabelo normalmente nessa manhã. Tome o pequeno-almoço: o dia é longo e estar três horas de barriga para baixo em jejum não é confortável. Leve uma camisa que abotoe à frente, auscultadores, um carregador e um gorro suficientemente largo para não tocar no topo da cabeça no regresso.
Se toma finasterida ou minoxidil, a maioria dos cirurgiões quer que continue. Um transplante não faz nada para proteger o cabelo que ainda tem, e suspender o medicamento à volta da data da cirurgia é uma das formas mais comuns de acabar por precisar de uma segunda intervenção mais cedo do que esperava.
Não lhe pode dizer de quantos enxertos precisa, se é bom candidato nem como a sua clínica organiza o dia. A ordem e os horários variam entre clínicas por razões legítimas — e uma clínica que lhe dá o seu horário à partida mostra-lhe algo útil sobre o quanto está organizada.
E não é aconselhamento médico sobre a sua medicação. Tudo o que toma regularmente — sobretudo anticoagulantes — é uma conversa com o seu médico e com a clínica, não algo que se mude por causa de um parágrafo num site.
Sim, o tempo todo. A intervenção é feita sob anestesia local, não geral. Pode falar, ouvir música, usar o telemóvel e almoçar. Muitas clínicas oferecem um ansiolítico oral ligeiro se estiver tenso, mas mantém-se acordado e capaz de responder.
Doem dois momentos: as injeções de anestésico local na área doadora de manhã e as da área recetora depois do almoço. Cada um dura dez a vinte minutos e sente-se como agudo, não intenso. A extração e a implantação são indolores porque o couro cabeludo está completamente dormente. A noite seguinte traz uma dor surda na área doadora, controlável com analgésicos comuns.
Uma sessão típica de 3.000 a 4.000 enxertos dura cerca de oito a nove horas com pausas, ou seja, grosso modo das 08:00 às 17:30. As sessões mais pequenas acabam mais cedo. Acima de cerca de 4.500 enxertos, muitas clínicas dividem o trabalho por dois dias seguidos, porque num dia demasiado longo baixam tanto a sobrevivência dos enxertos como a precisão do cirurgião.
Normalmente sim, a cerca de um milímetro. Existem técnicas sem rapar ou com rapagem parcial, mas demoram mais, custam mais e limitam o número de enxertos que se podem colocar. Se a clínica lhe prometeu uma cirurgia sem rapar, confirme-o nessa manhã antes de começar seja o que for.
É a pergunta que vale a pena fazer sem rodeios. A extração e a implantação são normalmente feitas por técnicos formados, e é prática comum. Mas a abertura das incisões — os ângulos e direções que decidem se o resultado vai parecer natural — deve ser feita pelo cirurgião. Pergunte que passos o médico executa em pessoa e obtenha a resposta antes de pagar o sinal.
Voar é seguro a partir do dia seguinte, mas a maioria das clínicas quer fazer ela própria a primeira lavagem, ao segundo ou terceiro dia: é a consulta em que verificam os enxertos e lhe ensinam a técnica de lavagem. Conte com quatro a sete noites, não duas.