Todas as clínicas que contactar lhe dirão que é candidato. Não é uma conspiração: é o que acontece quando a única ferramenta da casa é a cirurgia. Mas um transplante desloca cabelo, não trava a queda — e para um número nada pequeno de pessoas a resposta honesta é «ainda não» ou «isto não».
A cirurgia só funciona na queda com padrão, ou seja, a forma hormonal que segue o mapa de Norwood ou de Ludwig. Há várias condições que a um olho não treinado se parecem com ela e que não respondem de todo a um transplante.
O eflúvio telógeno é uma queda difusa em todo o couro cabeludo, que costuma começar dois a quatro meses depois de um desencadeante: uma doença, uma cirurgia, stress intenso, um parto, perda rápida de peso ou a suspensão de certos medicamentos. Na maioria dos casos resolve-se sozinho em seis a doze meses. Transplantar por cima é gastar enxertos em cabelo que vai voltar de qualquer forma — e a própria cirurgia pode desencadear mais queda.
A alopecia areata dá placas redondas de bordos limpos, sem rarefação em redor, e surge geralmente depressa. É uma condição autoimune. O cabelo transplantado para uma placa ativa sofre o mesmo ataque que o cabelo original sofreu.
A alopecia de tração resulta de tensão: tranças apertadas, coques, extensões, um lenço atado da mesma maneira durante anos. Numa fase inicial é muitas vezes reversível, e se a tensão continuar depois da cirurgia, o cabelo transplantado perde-se pela mesma via. Nas mulheres é um dos padrões mais mal diagnosticados.
As alopecias cicatriciais — incluindo o líquen plano pilar e a alopecia frontal fibrosante — destroem o folículo e deixam tecido cicatricial no seu lugar. Um transplante sobre um processo cicatricial ativo falha, em regra. Aqui são precisos um dermatologista e quase sempre uma biopsia antes de qualquer conversa sobre cirurgia.
Uma avaliação correta inclui: exame do couro cabeludo com ampliação (tricoscopia) para medir a densidade e ver se os folículos estão a miniaturizar; teste de tração; perguntas sobre história familiar e velocidade de início; e análises ao sangue se o padrão for difuso — função tiroideia, ferritina, vitamina D e, nas mulheres, marcadores hormonais. Se uma clínica lhe dá um número de enxertos a partir de uma foto enviada por WhatsApp, nada disto aconteceu.
A finasterida bloqueia a conversão de testosterona em DHT, a hormona que encolhe os folículos sensíveis. Nos estudos trava a progressão em cerca de 80 a 90 por cento dos homens e devolve algum cabelo em aproximadamente metade. Atua no cabelo que ainda tem; não traz de volta folículos perdidos. Os efeitos adversos são raros mas reais, e discutem-se com um médico, não com um comercial.
O minoxidil aplica-se topicamente, prolonga a fase de crescimento e engrossa os cabelos miniaturizados. Funciona em homens e mulheres, vende-se sem receita, e com a suspensão termina também o efeito. Ambos os fármacos precisam de três a seis meses para mostrar alguma coisa e de doze para poderem ser julgados com justiça.
É uma questão tanto comercial como clínica. Quem está no início de um Norwood 3 pode verificar, ao fim de um ano de finasterida, que a coroa voltou a fechar o suficiente e que a cirurgia não compensa — ou que o processo estabilizou, o que por si só já torna um transplante posterior mais pequeno, mais barato e muito mais provável que ainda faça sentido daqui a quinze anos.
O plasma rico em plaquetas é o seu próprio sangue centrifugado para concentrar as plaquetas e injetado no couro cabeludo. Os dados apontam para que possa melhorar um pouco a densidade em quedas precoces e ajudar à pega dos enxertos após a cirurgia. Não substitui um transplante nem faz crescer cabelo numa zona careca. Os pacotes turcos costumam incluir uma sessão; é um extra simpático, não um motivo para escolher uma clínica.
A mesoterapia — misturas de vitaminas e princípios ativos injetadas no couro cabeludo — tem evidência bastante mais fraca, e o que está realmente na seringa varia imenso. Trate-a com o mesmo ceticismo que dedicaria a qualquer produto não padronizado.
Quando a queda é mesmo androgenética, quando estabilizou ou está controlada com medicação, quando a área doadora é densa o suficiente para abastecer a superfície que quer cobrir e quando as suas expectativas coincidem com o que essa área pode realmente dar. Se as quatro se verificarem, o transplante é a única coisa que põe cabelo onde não há, e é permanente.
Um transplante abaixo dos vinte e cinco anos, com queda ativa e sem tratamento médico, é o erro clássico. O padrão ainda não está definido, a área doadora é gasta numa linha que não vai assentar na cabeça de um homem de quarenta, e não fica nada reservado para depois. A maioria dos cirurgiões prudentes recusa ou insiste em tratar primeiro.
Uma área doadora fraca é um teto rígido. Se a tricoscopia mostra que a nuca e os lados também estão a miniaturizar — acontece, e é frequente na queda difusa feminina — a área doadora não consegue dar um resultado duradouro, prometa-se o que se prometer.
A terceira coisa são as expectativas irrealistas. Um transplante não devolve a densidade dos dezassete anos nem dá a um Norwood 6 a linha de um jovem de vinte. O cirurgião que diz que sim a tudo o que pede não está a ser compreensivo: é exatamente aquele de quem convém afastar-se.
A maioria dos cirurgiões prefere que sim, porque um transplante não trava a queda do cabelo em redor da zona enxertada. Sem tratamento médico pode acabar com um resultado em que a faixa transplantada fica e tudo o que está atrás recua. É uma decisão do médico que o examina, não do comercial da clínica.
Pode, e muitas clínicas fazem-no, mas é a principal razão pela qual há resultados que ficam mal ao fim de cinco a dez anos. Estabilizar primeiro a queda com medicação — ou pelo menos desenhar o resultado contando com a perda futura — é o que separa um resultado que envelhece bem de um que não envelhece.
A pista é o padrão. A queda hormonal segue um mapa: entradas e coroa no homem, risca que alarga na mulher. Queda difusa por todo o lado, placas redondas de bordos limpos ou perda exatamente onde prende o cabelo com força são condições diferentes com tratamentos diferentes. Um dermatologista distingue-as numa consulta.
Como acréscimo a um pacote, é pouca coisa. Como tratamento isolado de uma zona careca, não: onde o folículo desapareceu, não nasce cabelo. Os dados apoiam uma melhoria moderada no desbaste inicial, não uma recuperação.
As boas dizem, e algumas recusam mesmo pacientes. Mas um negócio cujo único produto é a cirurgia tem um incentivo evidente para não o dizer. É precisamente por isso que uma opinião dermatológica de quem não vende transplantes vale a pena antes de reservar.